Por que temos a impressão que os homens das décadas passadas eram mais fortes?




Hoje quando ando na rua, nas universidades que faço palestras, e até mesmo em algumas academias, é notório a quantidade de homens com aparência frágil. 

A impressão que tenho nas minhas lembranças da infância, era de ver homens fortes em todos os lugares, e percebo que isso também está sedimentado no imaginário popular atual: filmes, series, livros, sempre representam o homem das décadas passadas como mais forte fisicamente. E sobre uma possível causa para isso que quero falar nesse post. Alguns cientistas afirmam que a masculinidade e feminilidade possuem suas raízes em algo bem especial: o quão rápido os sexos podem se reproduzir. 

Os biólogos chamam isso de "taxa máxima de reprodução" (Potential Reproductive Rates and the Operation of Sexual Selection). De modo geral, as mulheres se reproduzem muito mais lentamente que os homens, e isso se dá porque no decorrer da vida os homens produzem espermatozoides em abundância, cerca de 255 milhões de espermatozoides por ejaculação. 

Enquanto as mulheres produzem apenas 400 óvulos em toda sua vida. Além disso, fatores como menopausa, gravidez, filhos recém nascidos e amamentação, interrompem naturalmente a fertilidade feminina. O que faz com que sempre tenhamos menos mulheres férteis disponíveis. E isso implica em uma questão simples: por ser menos disponível, a fertilidade feminina é preciosa e as mulheres investem mais esforço na gestação e cuidados com a família, quando comparadas com os homens. 

E isso faz com que as mulheres invistam mais tempo, energia e recursos nos relacionamentos e desenvolvam-se psicologicamente para os cuidados. Por exemplo, mulheres são muito mais empáticas que homens (Genome-wide meta-analysis of cognitive empathy: heritability, and correlates with sex, neuropsychiatric conditions and cognition). E essas características de homens e mulheres garantem o papel de cada sexo. 

Mas movimentos, como o feminismo, estimulam que as mulheres abandonem a gestação e deixem de investir em relacionamentos, e isso tem um efeito profundo nos homens, o qual chamamos de "reversão dos papéis típicos de cada sexo" (Potential Reproductive Rates and the Operation of Sexual Selection; Clutton-Brock and Parker). Quando as mulheres deixam de investir nas relações, isso implica em uma mudança física e psicológica no masculino: eles se tornam menores, menos agressivos, e mais permissivos. Enquanto elas mesmas tornam-se mais promíscuas e agressivas. 

Ou seja, mulheres se masculinizam e homens se efeminizam. Ocorrendo realmente uma inversão nos papéis, mas sem a psiquê apropriada para lidar com esse novo paradigma, por exemplo, as mulheres não possuem os freios morais que a masculinidade proporciona para direcionar esses novos ímpetos recentemente adquiridos. 

E isso explica muito o surgimento de um comportamento fraco em muitos homens atualmente, quase como uma epidemia. Como já demonstrei em posts passados, atitudes femininas estimulam a masculinidade e, de forma contrária, a falta de feminilidade de mulheres "empoderadas" desestimula a masculinidade nos homens. 

Por isso hoje em dia é tão comum vermos cantoras de sertanejo falando em suas músicas sobre "porres", bebedeiras e festas, enquanto os cantores falam sobre a dor de quando foram abandonados pelas mulheres. Nas décadas passadas, anteriores aos anos 60, esse fenômeno simplesmente não existia. Cada sexo assumia seu papel e isso contribui para a manutenção do outro. E esse experimento social que temos vivido tem causado efeitos devastadores em homens e mulheres.

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