Há alguns paralelos muito claros entre a situação que se iniciou no Brasil em junho de 2013 e a situação que teve início na Rússia em fevereiro de 1899. No caso da terra natal de Lenin e Stalin, a crise que se iniciou com uma revolta estudantil, inicialmente vista como um evento menor e localizado, se agravou e se alastrou de tal modo que precipitou três momentos revolucionários.
O primeiro em 1905 com a adoção de uma constituição por parte do regime czarista (quantos liberais não se deixaram enganar, à época, pelas ilusões de um avanço institucional e democrático?); o segundo em fevereiro de 1917, quando caiu a monarquia e Kerensky, uma espécie de social-democrata, chegou ao poder anunciando suas intenções de modernizar o Estado russo por meio de reformas econômicas e constitucionais (mais uma vez sob os aplausos dos liberais); e o terceiro em outubro de 1917, quando os bolcheviques tomaram Petrogrado e, liderados por Lênin, assumiram o controle de facto e de jure da Rússia.
Nos dezoito anos que constituíram esse período, os comunistas, mestres da dialética, souberam jogar com as contradições, olhando tudo desde um horizonte muito amplo; os liberais e os conservadores, por sua vez, buscavam se posicionar, momento a momento, com base em uma visão estreita e doutrinária da situação, com frequência se deixando levar pelo entusiasmo de vitórias políticas aparentes (como as celebradas aqui no Brasil pelos micheleiros e temer-afetivos), alienando o apoio popular, adotando posturas tímidas e covardes perante os acontecimentos e entregando, na prática, o protagonismo e a direção da situação nas mãos dos bolcheviques.
Queira Deus que esses paralelos permaneçam apenas na esfera dos exercícios mentais e imaginativos. Queira Deus que nada remotamente parecido com a Revolução Russa se repita no Brasil. Porém, cada vez que olho para o noticiário fico mais convicto de que teremos uma revolução e que o caráter dela — se ela será à americana ou à russa — dependerá de todos nós.
Seja como for, parece cada vez mais difícil negar que estamos vivendo uma situação revolucionária que, por ora, ninguém sabe como aplacar ou gerir; uma situação cada vez mais explosiva e complexa, aprofundada pela explicitação do derretimento das instituições e dos arranjos da classe política e do establishment, de um lado, e de os adeptos da falsa esperteza que criam soluções artificiosas, de outro — e, por distante que experiências como as que estão sendo lembradas aqui nos pareçam, a imolação dos nossos vizinhos venezuelanos não nos permite esquecer que a destruição revolucionária está sempre mais próxima do que gostaríamos e que a vigília constante não é um capricho, mas sim uma necessidade.
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