Assisti boa parte do depoimento de Hans River na CPI das “fake news”. Fora intimado pelo presidente do PT, Rui Falcão, que acreditava que River iria afirmar que trabalhara na campanha presidencial para “disparar” mensagens de WhatsApp para o então candidato Jair Bolsonaro. O tiro saiu pela culatra: River disse que trabalhou para Haddad! Parlamentares de esquerda quiseram tomar o depoimento a portas fechadas. Não conseguiram. Pior: River, além de afirmar que Rui Falcão o chamara de “favelado”, disse que uma jornalista da “Folha de São Paulo”, Patricia Mello, eleitora confessa das esquerdas, se insinuou sexualmente para conseguir informações.
A imprensa saiu em defesa de Patricia. E políticos. O presidente, nessas entrevistas informais, comentou que ela “queria dar um furo...”. Escândalo! Imediatamente a imprensa ganhou nova “pauta”: a grosseria do presidente, sua falta de decoro. Assim, o conteúdo do depoimento de River saiu das manchetes e foi para baixo do tapete. O que tudo isso revela?
1) o corporativismo da classe jornalística;
2) a sólida blindagem das esquerdas;
3) a prevalência da linguagem em detrimento dos fatos.
Décadas de educação paulofreiriana criaram um monstro social: o frágil, o hipersensível. “Pussy generation”, disse Clint Eastwood. O que as pessoas sentem com as palavras é superior aos fatos – ou ao desejo de conhecer os fatos. Milhões foram educados assim. Como a Direita lidará com esse bloqueio hermenêutico? “Bater de frente” semanalmente não traz votos, pelo contrário. Pauta para os senhores, nobres assessores.
Ricardo da Costa
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